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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

73- Usando o ChessBase 11 para aprender

Agradecemos ao Dawton Lemos !
Reproduzimos as explicações do promissor enxadrista cearense Dawton  Lemos, que mostra como aproveitar melhor alguns recursos do ChessBase, em particular na sua versão 11.
(recomendamos acessar o site www.xadrezon.org para mais detalhes)

Os vídeos abaixo mostram como utilizar o ChessBase 11 para: estudar e pesquisar Aberturas, comentar partidas, montar um arquivo de preparação de Aberturas e como colecionar partidas selecionadas ou arquivar suas próprias partidas, comentadas ou não.

Referência de Aberturas:



Ferramentas para comentar partidas:



Como criar um Book de Aberturas:



Como criar um Dossier:





Esta matéria foi postada no ótimo blog "Cidade do Xadrez", um dos melhores do Brasil, editado pelo Dr. Carlos Pinto, de Natal-RGN, a quem também agradecemos.
Recomendamos acessar as muitas matérias interessantes e as lições apresentadas, acessando seu blog em http://www.cidadeladoxadrez.blogspot.com.br

Ver esta matéria específica em:
http://www.cidadeladoxadrez.blogspot.com.br/2012/12/como-usar-o-chessbase-11-para.html

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

65- Aberturas? Pergunte ao Gary Lane


O texto abaixo foi extraido da coluna  Opening Lanes de Dez/2012 intitulada “The Long View”.

Opening Lanes é baseada em perguntas dos leitores. Você tem alguma pergunta a respeito de alguma variante de Abertura específica? Confuso com alguma linha da Benoni ou Budapest? Submeta sua pergunta (com nome completo e seu país de residência) e pode ser que Gary responda em sua próxima coluna no ChessCafe.com. Enviar para garylane@chesscafe.com  mencionando no título da sua mensagem “A Question for Gary Lane”.

Reproduzimos abaixo uma tradução que fiz da minha consulta e da resposta do GM Gary Lane.
(disponível no arquivo permanente PDF em inglês: http://www.chesscafe.com/text/lane168.pdf )

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[Consulta]
..."Francisco Schwab do Brasil quer voltar um pouco no tempo. Ele escreveu: "Eu costumava evitar jogar a Francesa por causa da variante das Trocas e sua tendência ao nivelamento. Depois de verificar algumas partidas de mestres como Nimzowitsch, Alekhine, e outros, vi que 'igualado' não é 'empatado'. Isto foi confirmado pela minha experiência pessoal, depois de começar a enfrentar esta variante e ser capaz de ganhar muitas partidas [de Pretas].
"Acredito que, em geral, as melhores chances para as Pretas desequilibrarem  o jogo é rocar grande e atacar na ala do rei. Mas as Brancas também podem rocar para a ala da dama e tornar tudo mais difícil, desde que seja possível encontrar boas casas para suas peças. Minha observação é que, em geral, o bispo da dama Branco tem poucas perspectivas se for impedido Bg5, que leva a mais uma troca via h4-g3.
"Finalmente, a minha pergunta: Será que o movimento preventivo ... f6 pode ser um recurso recomendável para evitar Bg5 - e proteger a casa e5 -  e começar um avanço de peões na ala do Rei, como na partida anexa Pomar-Alekhine, Madrid 1945? Isto deixaria as Brancas com dificuldades para desenvolver seu bispo da dama, certo? Talvez este movimento preventivo ... f6 possa ser aplicado também em outras linhas  da variante das Trocas, para obter os benefícios acima? "
Gary e seu tabuleiro 12 x 12
[Comentários de Gary Lane]
Você não deve se preocupar muito com a variante do Cambio, pois afinal, o pior que pode acontecer é um empate! Bem, ao final pode haver mais do que isso, mas pelo menos não é uma linha muito aguda, onde um movimento em falso e você perde como, digamos, na Siciliana Dragão. Muitos jogadores de níveis mais baixos tentam esta variante [de Brancas], a fim de evitar as linhas principais, mas é claro que há também muita teoria associada a esta variante. Afinal, se você está jogando os mesmos lances que Alekhine e o seu oponente de rating 1800 vai fazendo os lances na hora, durante a partida, quem é provável que ganhe? De qualquer forma, é bom dar uma olhada na partida que você mencionou, em que fiz algumas atualizações:

Arturo Pomar Salamanca - Alexander Alekhine
Madrid 1945 -- Defesa Francesa – variante das Trocas [C01]
1.e4 e6 2.d4 d5 3.exd5

[FEN "rnbqkbnr/ppp2ppp/4p3/3P4/3P4/8 / 
PPP2PPP/RNBQKBNR b KQkq - 0 3 "]
A variante das Trocas na Francesa tem a reputação de ser uma maneira de orientar o jogo para um empate. É especialmente popular entre os juniores ou jogadores iniciantes que não se sentem confiantes sobre as diferentes linhas da Francesa e querem jogar uma variante simples e segura. 3 ... exd5 4.Bd3 Cc6  Gosto da maneira como o grande Alekhine reaciona nesta abertura, porque ele encontra uma maneira de criar chances para desequilibrar. Acho que se você conhece bem suas aberturas, então a variante do Cambio deve ser apenas aborrecida, e não um empate forçado. Se o jogador de Brancas mal conhece uns cinco movimentos, então com certeza as Pretas terão vantagem em conhecer algumas partidas modelo. 5.c3 Bd6 6.Cf3 Cge7  Também seria possível jogar 6...Cf6, mas não é essa a idéia usual, porque torna-se possível cravar o cavalo com Bg5, o que é incômodo, ao contrário de f7-f6 como na partida. 7.0-0 Bg4 8.Te1

[FEN "r2qk2r/ppp1nppp/2nb4/3p4/3P2b1 / 
b 2PB1N2/PP3PPP/RNBQR1K1 kq - 0 8 "]
8 ... Dd7  O esquema de Alekhine é bom, mas em partidas antigas, às vezes, há espaço para melhoria. É por isso que o leitor está intrigado: porque  8...f6 não é jogado para impedir a opção das Brancas de poder jogar Bg5?
Penso que a razão é que as Brancas ainda podem desenvolver outras peças, e daí isso faz pouca diferença. Um outro problema é que ... f6 nem sempre é parte do plano, e você talvez tenha perdido um lance em algumas linhas, como quando as Pretas rocam curto. O meu sentimento é que se 8...Dd7 é bom o suficiente para um campeão mundial como Alekhine e outros jogadores top através dos tempos, então é bom o suficiente para mim. 
 9.Bg5  Mais recentemente outras melhorias foram tentadas:  9.Cbd2 0-0-0 10.b4 Tde8 11.Cf1 (11.b5 Cd8 12.Da4 Rb8 13.c4 é quase igual) 11 ... f6 12.a4 g5 13 . a5 14.b5 Cd8 com boas perspectivas, especialmente se as Brancas jogarem Ce3 no momento certo (R.Ovetchkin-M.Szymanski, Cappelle la Grande 2006) e também 9.Cbd2 Dd7 10.Dc2 0-0-0 11.b4 Ca5 12.b5 Tde8 13.h3 Bh5 levou a oportunidades iguais (A.Margana-S.Mahmud, Jacarta 2011). 
9 ... f6 Alekhine elimina a cravada e cobra uma definição do Bispo. Se essa abordagem não agradar, então 9 ... 0-0 é a alternativa óbvia. A partida V.Arjun-M.Sher (Schaumburg 2006) continuou com 10.Cbd2 Tae8 11.Dc2 h6 (ou 11 ... Bf5!? 12.Bxe7 Cxe7 é nível) 12.Bh4 Bf5 13.Bg3 Bxd3 14 . Dxd3 Cg6 15.Bxd6 Dxd6 16.Txe8 Txe8 17.Te1 Txe1 + 18.Cxe1 Cd8 com uma posição de igualdade, mas as pretas acabaram vencendo. 10.Bh4 0-0-0  Este é um verdadeiro teste para as brancas, especialmente se tal posição é repetida em seu clube local ou torneio, porque se realmente querem um empate manso, então roque em lados opostos do tabuleiro vai causar um choque. 11.Cbd2 h5 12.Bg3 O movimento moderno é 12.Dc2 com a intenção de iniciar uma avalanche de peões na ala da Dama. 12 ... h4 13.Bxd6 Dxd6 As Pretas já tem uma leve iniciativa e pelo menos evitaram uma partida chata. 14.h3 Bh5  Talvez 14...Bf5 deva merecer consideração. 15.De2 Bf7 16.Cb3 Tde8 17 . Cc5 Cd8

[FEN "2knr2r/ppp1nbp1/3q1p2/2Np4/3P3p / 
2PB1N1P/PP2QPP1/R3R1K1 w - 0 18 "]
Esta partida já foi analisada no passado, e para além da abertura, há pouco de novo a acrescentar. 18.Dc2 b6 19.Cb3 g5 20.Ch2 Ce6 21.c4 dxc4 22.Bxc4 Rb8 23.Tac1 Cd8 24.Bxf7 Cxf7 25. Dc4 Cd5 Alekhine tem pressão de longo prazo contra o peão isolado d4, mas ainda há algum trabalho a fazer antes que ele possa explorá-lo. 26.Db5 Txe1 + 27.Txe1 c6 28.De2 Ch6 29.Cd2 Cf4 30.De4 Dd5 31 . Chf3 Cf5  Uma posição forte para este cavalo, que aumenta a pressão sobre o peão d4. 32.Rh1 Td8 33.Tc1 Rb7 34.b3 Dxe4 35.Cxe4 Cd5 Aqui poderia também tomar o peão imediatamente: 35 ... Cxd4 36.Td1 Cfe6 37.Cxf6 Cxf3 38.Txd8 Cxd8 39.gxf3 Ce6 parece bom para as pretas. 36.Te1 Rc7 37.Ced2 Cb4 38.Te6 Td6 39.Te8 Cxa2 começa a caça aos peões. 40.Ce4 Td8 41.Txd8 Rxd8 42.Cxf6 Cc1 43.b4 Cd3 44.d5 Re7 45.Ch7 cxd5 46.b5 g4 47.hxg4 Cxf2 + 48.Rg1 Cxg4 0-1 "
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Aos interessados sugerimos acessar nossa próxima Postagem nº67 para ver a análise feita pelo próprio Alekhine a esta partida. Especialmente relevante é o seu comentário sobre o 19º lance das Brancas - dá para ver a partir deste último diagrama: Alekhine considerou 19.Cb3 um êrro.  Gary Lane não fez nenhuma observação sobre isso, provavelmente porque seu foco era na pergunta feita a respeito da Abertura. Não percam nossa próxima postagem!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

62 - Prevenção, Restrição e Super-proteção

Aaron Nimzowitsch  (1886-1935)
Conhecida pelo erudito nome de "profilaxe" desde os tempos em que Nimzowitsch apresentou estes conceitos pela primeira vez, a Prevenção está na própria essência da estratégia enxadrística  Porque não basta tomar iniciativas e desenvolver um plano próprio, pois frequentemente é necessário atentar para os possíveis planos do adversário e tomar medidas preventivas, antecipando-se ao futuro desdobramento da partida, seja para se defender ou para aproveitar oportunidades que poderão surgir.

No seu famoso livro Meu Sistema,  Nimzowitsch argumenta assim sobre Prevenção: "Exigir das peças somente uma atividade atacante direta leva a marca de um empurrador de madeira. Tendo um bom critério, uma mente enxadrística mais sofisticada quer que as peças também realizem manobras preventivas."
As duas técnicas mencionadas, de Restrição e Super-proteção, nada mais são do que esforços preventivos que tentaremos explicar aqui de uma maneira bem simples:

Restrição é exercer pressão ou domínio sobre casas ou peças adversárias, pela ação combinada de suas próprias peças, geralmente através de colunas ou diagonais semi-abertas. E ainda Nimzowitsch:
"As peças que estão envolvidas em tal missão [de prevenção] se verão recompensadas pelo fato de que se encontrarão bem situadas em todos os aspectos."

Super-proteção é o reforço antecipado de algum ponto importante, constituído por uma casa ou pelo peão ou alguma peça própria que ocupa aquela casa. Sobre isso, escreve Nimzowitsch:
"Devemos superproteger nossos pontos estratégicos importantes [fortes ou fracos] concedendo-lhes um excesso de força defensiva em relação a força atacante, dispor de uma reserva de força defensiva."

Estas ações preventivas costumam ser mais fortes e vantajosas quando focam em pontos centrais do tabuleiro, porque se trata da área mais importante da luta enxadrística e os esforços dirigidos ao centro adquirem maior valor potencial. Ou seja, estas ações preventivas resultarão mais vantajosas se estiverem combinadas com aspectos de Centralização - que é outro conceito ressaltado por Nimzowitsch, o primeiro grande pensador da estratégia moderna do xadrez.

A seguir, apresentamos uma partida que escolhemos para ilustrar estes dois conceitos de uma maneira simples e clara, sem nenhuma pretensão de sofisticação: apenas para mostrar bem didaticamente.
(na anotação inglesa abaixo nós temos Q=Dama, N=Cavalo, R=Torre, K=Rei, B é Bispo mesmo).
Posição após o lance branco 24. Te1 :


A variante de Spielman com 4.Db3 é uma tentativa de refutar a Defesa Nimzoíndia, mas que não trouxe maiores benefícios e hoje raramente é vista em partidas de mestres. Esta é uma defesa muito respeitada, que oferece boas possibilidades ao jogador das pretas e que costuma originar interessantes lutas estratégicas.

Ao jogar 24. Te1 as brancas pretendem reforçar o centro para avançar o peão até a casa e4, ganhando em dominação de espaço e mobilidade de sua massa de peões centrais, o que criaria novas possibilidades.
A pretas tentam impedir isso dominando a casa e4, primeiramente com um Bispo em c6, aplicando o conceito de Restrição, conforme vimos.
As brancas se vêem obrigadas a avançar 25. d5, deixando o peão do rei atrasado numa coluna dominada por peças pesadas do adversário - mas seria pior deixar que a casa e4 fosse ocupada pelo bispo, pois isso bloquearia os peões e limitaria o espaço para as peças brancas manobrarem.

As pretas continuam a aplicar Restrição, pressionando a casa e4 para impedir o avanço do centro branco:
manobram para reposicionar o Cavalo, atacando a Dama branca com 25...Cc5, e visando a casa e4 para poder bloquear fortemente o avanço de peão e4-e5 e obteriam com isso uma boa posição na partida.

Aparentemente conseguiram, porém um detalhe tático possibilita que as brancas avancem 27. e4!
Utilizar a dama na frente de batalha costuma ser ruim, porque se agora 27...Dxe4 segue 28. Bd3, DxT+ (forçado) 29. Bxe1, Txe1 e as pretas levam desvantagem.
É claro que 27...Cxe4 também é desvantajoso por causa de 28. Bd3 cravando o cavalo.
As pretas parecem desorientadas ao falhar em conter este avanço e aí fraquejam nas medidas preventivas necessárias a seguir. O lance 28...Df7 ? deveria ter sido Dg7 porque agora a casa e5 tornou-se importante e precisa ser vigiada, além disso a próxima manobra do Bispo e2 irá ganhar um tempo em cima da Dama.

A força desta manobra do Bispo é que ele expulsa a Torre de e8, que deveria permanecer na coluna "e" para ajudar na Super-proteção da casa e5, ponto estrategicamente forte na posição da Pretas.
Por isso, o lance 29...Dd7 é outro equívoco, porque esta casa deveria vir a ser ocupada pelo Cavalo, pelos mesmos motivos, e de onde ele poderia se postar na casa central e5 com atuação muito mais efetiva.
As pretas estariam explorando o "buraco"  e5 (casa que não pode ser atacada por peão adversário) e se as brancas eliminassem o Cavalo tomando-o com seu Bispo de casas pretas, restariam com um Bispo "mau" (anda pelas casas da mesma cor onde estão parados seus peões) e em desvantagem para um futuro final.

Logo a seguir, para poder reconquistar a casa e8 e expulsar o agressivo Bispo g6 (a peça branca mais bem situada), as pretas deveriam tentar manobrar para jogar 31...Be8 e não Ba6, porém as pretas parecem jogar sem um plano e por isso as suas jogadas não se harmonizam e as peças atuam sem conjunto, atrapalhando umas às outras.

Finalmente, as brancas realizam o temático avanço 33. e5! seguido do corajoso sacrifício 34. Bxe5 que leva a uma posição ganhadora, com ataque decisivo ao rei preto.
É interessante observar que, neste momento, as pretas ficam só com a Dama e uma Torre para defender esta zona de combate, pois o Bispo, Cavalo e a Torre a8 não tem tempo para acudir. Enquanto isso, as brancas atacam com Dama, duas Torres, Bispo e peão f6 - o destino da partida foi selado.

Comentários, críticas e dúvidas serão bem-vindos!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

47- Segredos da posição 2

Há de fato dois tipos de jogadas no Xadrez:  os movimentos propriamente ditos e as trocas de peças. Muitas vezes uma troca de peças pode alterar a situação na partida de maneira irreversível. Por isso, é muito útil desenvolver a percepção de quando é conveniente buscar efetuar uma troca ou quando isto deve ser evitado a todo custo.
Balashov - Karasev, Camp. Russo 1971
Aquí Karasev resolveu simplificar a posição e ao mesmo tempo eliminar um dos dois bispos brancos, jogando 17...Bf5

Esta posição já tinha ocorrido antes, numa partida entre Fischer e Larsen, em Santa Mônica 1966, na qual o criativo GM dinamarquês encontrou uma boa continuação para as pretas:
17...Ce7 18. Cd4, Bf5 19. Cxf5, Cxf5 20. Bd2, Dh4 e nesta posição os cavalos mostraram uma surpreendente força sobre o par de bispos brancos, decidindo a partida rapidamente:
21. Df1, Cc5 22. g3, Dc4 23. Dg2, Cd3 24. Bxd3, Dxd3 25. Bg5, c6 26. g4, Cg7 27. Te3, Dd2 28. b3, b4 29. Dh3, bxc3 30. Dh6, Ce6 e as brancas abandonaram 0-1.
 Nesta partida entre os mestres russos, após a troca dos bispos com 18. De2, Bxc2 19. Dxc2 seguiu-se o lance 19...Dd7? que não levou em conta a necessidade de proteger as casas pretas enfraquecidas pelo avanço do peão g6 e pela ausência do seu bispo de casas pretas - era melhor ter jogado 19...De7 para defender o peão d5 com a torre de a1 e poder pressionar o peão branco e5, poder avançar depois o peão de f7 para f6 ou defender o roque com Df8. A partida continuou com 20. Tad1, Tad8 21. Dc1, Ce7 22. Bg5! (ameaçando montar uma rede de mate com Bf6 e depois Dh6), Cxg5 23. Cxg5 (ameaçando agora com a perigosa manobra Ce4 e Cf6+, seguido de Dh6).
Aquí as pretas jogaram 23...Cc6 preparando-se para entregar a dama após 24. Ce4, dxe4 25. Txd7, Txd7 buscando assim complicar o jogo. Mas Balashov preferiu entrar num final favorável e mais seguro:
24. Df4 (se agora 24...De7 segue 25. e6), Df5 (buscando aliviar o ataque em troca de dobrar os próprios peões) 25. Dxf5, gxf5 26. e6! fxe6 27. Cxe6, Td7 28. Cc5, Tde7 29. Txe7, Txe7 30. Cxa6, Te2 31. Cxc7, Txb2 32. g3, f4 33. gxf4, Txa2 34. Txd5, b4 35. cxb4, Cxb4 36. Td7, Ta7 37. Rg2, Cc6 e as pretas excederam o limite de tempo 1-0, mas a partida já estava tecnicamente decidida.
A troca de bispos com 17...Bf5 iniciou um plano de jogo equivocado que levou a uma posição perdedora.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

45- Conselho: calcule um lance a mais

Conselho dos mestres: Ao analisar, procure calcular um lance a mais do que você tem costumado fazer.

Rowson - Yermolinsky, 2002
 No livro que publicou sobre suas partidas, o GM Laszlo Szabo lamentou ter perdido muitas oportunidades por interromper cálculo de variantes cedo demais. Ele costumava analisar até 3 lances, pois geralmente isto é suficiente. Após avaliar 3 lances na variante, caso não lhe agradasse, ele descartava a alternativa e tratava de procurar outro lance "candidato" para analisar.

Acontece que muitas vezes, ao analisar as jogadas após terminada a partida, ele percebia que o primeiro lance candidato escolhido era mesmo o melhor, e isto teria ficado claro se ele tivesse visto um lance a mais.
Portanto, é recomendável analisar um lance a mais, após haver calculado uma variante, mesmo já tendo achado que era suficiente.
Isto pode evitar desgraças como ocorreu na partida ao lado, onde as pretas poderiam ter defendido o peão a7, mas avaliaram que poderiam fazer um lance mais ofensivo jogando 1...Dc2 atacando ao invés de se defenderem.
 
Yermolinsky viu que após 1.Dxa7 poderia jogar 1...Dc2 e após 2.Td2, Dc1+ 3.Rh2, jogaria Bg5.´
Aí então as brancas poderiam jogar 4.Td3, e após 4...Bf4+ 5.g3 jogaria 5...Df1 ganhando.
Analisou também a alternativa 4.Te2 e conclui que daria no mesmo: 4...Bf4+ 5.g3, Dd1 ganhando.
Acontece que na partida, após 5...Dd1 as brancas jogaram 6.Cg1 e agora as pretas tiveram que mover o Bispo e ficaram com uma posição perdedora: era preciso ter visto um lance a mais.
As pretas falharam porque calcularam um lance a menos do que deveriam!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

44- Finais: para poder jogar com confiança!


Todos os grandes jogadores tem sido unânimes em considerar o aprendizado dos Finais Básicos como imprescindível para se poder evoluir no Xadrez. Para isso é necessário fazer um estudo sistemático, pois descobrir tudo sozinho, apenas tirando conclusões das partidas, é demorado, trabalhoso e ineficiente.

Há muitas razões que justificam o esforço em aprender melhor os Finais, p.ex.:
# jogar com confiança no futuro e não fugir das trocas, por medo de um Final;
# transformar uma vantagem em vitória, o que é mais garantido num Final;
# avaliar melhor as posições de meio jogo e prever seus desdobramentos;
# decidir quais são as trocas vantajosas e as que não lhe convém fazer;
# poder jogar finais rapidamente, nestas partidas tipo nocaute/final acelerado;
# entender profundamente as características e poder de cada peça, rei e peões

Muitos enxadristas se preocupam demais com as Aberturas e suas novidades, e só focam nisso. Mas é interessante observar como alguns jogadores fortes e experientes conseguem vencer (geralmente nos Finais!) utilizando aberturas simples e teoricamente ultrapassadas. Dificilmente alguém ganha ou perde logo na Abertura. O famoso GM húngaro Lajos Portisch costumava dizer que "a finalidade da Abertura é obter-se um meio jogo razoável" e, na prática, não adianta estudar muito as Aberturas para obter uma posição vantajosa, se não houver conhecimento e força para transformar a vantagem em vitória.

Em geral, muitas imprecisões são cometidas durante uma partida, e enquanto houver muitas peças no tabuleiro é possível tecnicamente consertar ou recuperar. Porém os Finais exigem PRECISÃO e um êrro costuma ser fatal, frente a um adversário que tenha os conhecimentos básicos. Aliás, a própria transição para o Final é o momento mais crítico da partida, porque pode levar a uma situação que já esteja praticamente decidida, dependendo apenas de uma condução técnica adequada.

A sequência tradicional em que se estuda os Finais é muito sugestiva: isto é feito de trás para a frente. Após aprender os mates elementares, o início é sempre pelos finais de peões. É porque quando for analisar p.ex. finais de bispo contra cavalo, com vários peões, é preciso frequentemente avaliar como ficaria o final mais simples - de peões - caso se realizasse uma troca de peças e restassem só os peões.

Por isso é que não adianta analisar finais isoladamente, pois é preciso um encadeamento sistemático, a partir do simples para o mais complexo, do posterior para o anterior. Só dá para entender finais que envolvem várias peças, em partidas de Mestres, se houver boa compreensão dos finais mais simplificados. Da mesma forma, uma boa análise no meio da partida depende de avaliar como seria a situação num final.

Após pesquisar muita literatura, recomendamos o livro de Ian Snape, agora traduzido para o espanhol, (o que para os leitores brasileiros ainda ajuda a se desenvolver no espanhol) que pode ser visto em:
 http://www.4shared.com/office/CKonZUwD/como_jugar_con_facilidad_los_f.html

Apresenta os finais básicos bem objetivamente em 143 páginas, concentrando-se nas idéias, conceitos e planos, mostrando as variantes sem complicar demais. O autor se alonga mais no estudo dos finais mais frequentes que acontecem na prática, dando exemplos de partidas reais. Depois complementa com 100 posições para teste, com respostas bem explicadas ao final. Façam bom proveito!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

33- Site de treinamento grátis em português

O site  www.chesstempo.com é excelente para aprender Tática, através de milhares de exercícios que disponibiliza gratuitamente na Internet. Oferece aos iniciantes uma parte teórica onde são explicados os principais temas de combinações, além de Forum onde os participantes colocam suas idéias, sugestões e dúvidas.

Oferece também outros recursos, para aprender ou treinar Finais e Aberturas, além de um vasto Banco de partidas  de mestres e sistema de pesquisa para encontrar diversas informações, como posições similares, variantes de aberturas e defesas, e muito mais.
Disponibiliza um "engine" (software) contra o qual se pode jogar, ajustando o tempo desejado, a força em que ele jogará, etc. Além disso, a partida com o engine pode ser acoplada para se pesquisar partidas semelhantes no Bando de partidas bem como as variantes da abertura/defesa utilizada.
A utilização gratuita dá acesso a todos os recursos, porém com limitações, como por exemplo: nas aberturas mostra no máximo até o 10º lance - mas isso é suficiente para boa parte dos iniciantes e aprendizes.

Para receber um tratamento mais personalizado, inclusive com cálculo automático do Rating do participante, atualizado após cada exercício ou partida, basta cadastrar-se no site, ainda gratuitamente.
Um recurso interessante é que os exercícios vão sendo graduados (mais fáceis ou mais difíceis) em função dos resultados que o aprendiz vai conseguindo.

É possível ir além e obter orientação individualizada mediante o pagamento de anuidade, de valor bem acessível, conforme explicado no site, podendo então utilizar todos os recursos oferecidos sem as restrições do uso gratuito.

Recomendamos muito este site para treinamento e diversão - bom proveito!
Abrs, Xad-Rez

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

32- Conceitos sobre aberturas - 3

COMO MONTAR UM BOM REPERTÓRIO DE ABERTURAS/ DEFESAS?
 Começar certo é importante para desenvolver as peças e alcançar boa posição numa partida, e para isso é suficiente conhecer bem os princípios básicos das aberturas. Porém para evoluir e poder disputar com adversários de nível mais elevado é preciso fazer um aprendizado mais detalhado sobre Aberturas e Defesas.Querer aprender de tudo é trabalhoso e pode causar muita confusão na sua cabeça. O mais recomendável é limitar o campo de estudo para facilitar o aprendizado e permitir aprofundar o conhecimento, para ter mais confiança e bons resultados.
Atualmente há muitos livros sobre aberturas que oferecem sugestões de repertórios preparados por Grandes Mestres, apresentando esquemas completos, em diversos estilos de jogo, os quais se pode escolher conforme a preferência do interessado.

REPERTÓRIOS SUGERIDOS
Pesquisamos diversos repertórios sugeridos por GMIs e encontramos dois relativamente simples, que podem servir como um bom começo para os iniciantes e intermediários usarem em suas partidas.
É importante ressaltar que o principal é compreender as IDÉIAS que servem de base para os lances recomendados, bem como ir aprofundando gradativamente nas características das posições resultantes após a abertura e nos respectivos PLANOS DE JOGO que são compatíveis e típicos destas posições.

Jogar estas sugestões com frequência torna possível familiarizar-se com as manobras típicas naquelas posições, e talvez levar vantagem sobre um adversário que não as conheça. Por outro lado, seus adversários habituais já saberão o que você irá jogar e poderão, talvez, se preparar para enfrenta-lo melhor. O fato é que não existe uma receita mágica para as Aberturas, não há uma defesa boa para tudo. O objetivo destes repertórios sugeridos é dar uma orientação sólida e permitir a montagem de esquemas de jogo que tenham similaridade entre sí, indicando variantes que facilitem o aprendizado.


1- Sugestão do GMI SEIRAWAN:
Em português temos "Xadrez Vitorioso - Aberturas" do GMI Yasser Seirawan onde ele explica seus princípios básicos, mostra um panorama geral das principais alternativas e depois sugere uma espécie de "panacéia", um esquema de jogo que dá condições para inicar com confiança tanto de brancas quanto de pretas. A idéia é montar sempre o chamado "fiancheto" com o bispo do rei, o que fortalece a defesa do rei após fazer o pequeno roque e evita complicações logo no início da partida.

Neste caso, de brancas indica a Abertura Barcza caracterizada pelos lances 1.Cf3, 2.g3, 3.Bg2, 4.0-0, seguindo com o chamado Ataque Indio do Rei  5.d3, 6.Cbd2, 7.e4 e deste modo é possível jogar este esquema pré-determinado, independente do que o adversário fizer. Também pode-se "enganar" o adversário e iniciar com 1.e4, para depois seguir 2.d3, 3.Cd2, entrando no esquema recomendado por transposição de jogadas e, desta forma, talvez confundir o adversário e evitar que ele adote uma outra sequência com seus lances preferidos.

De pretas recomenda a Defesa India do Rei (contra 1.d4, 1.Cf3 ou 1.c4) ou então a Defesa Pirc (contra 1.e4). A única diferença entre elas é que na India do Rei a sequência pode ser a mesma usada no Ataque Indio, começando por 1.Cf3, enquanto que na Pirc o lance inicial que se joga de pretas é 1...d6 e só depois sai com o cavalo. No livro são apresentadas as alternativas básicas de jogadas, de brancas e de pretas, cobrindo as principais alternativas lógicas para o desenvolvimento da partida.
     Abertura Barcza                   Defesa India do Rei                Defesa Pirc (para 1.e4)
Esta sugestão de Yasser é baseada na própria experiência dele, que chegou a ser campeão dos EUA. Tanto o Ataque Indio do Rei quanto a Defesa respectiva, bem como a Defesa Pirc, costumam levar a um jogo bem fechado, com conteúdo mais estratégico, cadeias de peões intertravadas e as posições resultantes são muito semelhantes entre sí. O início do jogo é mais previsível e as novidades só aparecem mais tarde, após posicionar as peças e definir a estrutura de peões.

2- Sugestão do GMI SOLTIS:
Outra sugestão interessante de repertório de Defesas com as pretas é apresentado pelo GMI Andrew Soltis no livro "Black Defensive System for the rest of your Chess Career", ou seja, "Sistema Defensivo para o resto da sua Carreira". A idéia é usar sempre de pretas os lances 1...c6 e 2...d5 para qualquer abertura que as brancas adotem, derivando para a Defesa Caro Kann (contra 1.e4) ou para a Defesa Eslava (contra 1.d4 e também contra 1.c4 e 1.Cf3), que apresentam semelhanças quanto a estrutura de peões e suas posições.
Defesa Caro Kann                   Defesa Eslava                   Defesa tipo Eslava
Nesta sugestão de Soltis existe mais variedade, posições um pouco mais abertas e jogo movimentado mais cedo após a abertura, porém também envolve um volume maior de jogadas para aprender. Esta sugestão apresentada no livro de Soltis só oferece Defesas para jogar de pretas. Há um artigo posterior escrito por ele, onde recomenda utilizar a Abertura Colle para jogar de brancas, que é sólida, simples e com relativamente poucas variantes, o que evita sobrecarregar a memória.

Na próxima postagem sobre Aberturas detalharemos mais variantes nos repertórios sugeridos, pois uma de suas vantagens é que estes Grandes Mestres indicam algumas sequências de lances, conforme as alternativas que o adversário escolher, facilitando muito ao aprendiz criar um repertório sólido.
Abraços, Xad-Rez.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

31- Resende no Aberto do Brasil - RIO 2011


Esta etapa classificatória para o Campeonato Brasileiro 2011 foi realizada de 15 a 17 de julho e contou com os melhores jogadores do Rio, bem como alguns de S.Paulo e outros estados.
Foram 72 participantes, incluindo 2 MIs e 9 MFs(Mestres FIDE, candidatos a Mestre Internacional), e Francisco Schwab representou Resende muito bem. Terminou em 14º lugar, com 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota, totalizando 4 pontos (o campeão somou 5 pontos). Obteve assim um Rating Performance de 2261, terminando na frente de 1 MI e de 2 MFs, um resultado excelente e muito elogiado.
Como melhor dos "veteranos" (nascidos antes de 1955), Schwab recebeu um troféu e R$200 de prêmio.
Final da premiação, onde Schwab aparece à esquerda da foto, ao lado do MI Eduardo Limp.
Notícia completa sobre este evento pode ser vista nos sites: http://maiakowsky.blogspot.com/ na postagem 1033 e http://www.xadrezriodejaneiro.blogspot.com/
APRESENTAÇÃO DE PARTIDA COMENTADA
Aproveitando a oportunidade, Schwab convida para analisarmos juntos uma partida posicional muito interessante que ele jogou neste torneio recém terminado no Rio de Janeiro, enfrentado o paulista Zacarias (rating 2071).
Pretendemos realizar isso no próximo sábado dia 23, a partir das 17:00 horas, logo após a Oficina de Xadrez, usando tabuleiro mural e com a participação de todos, para curtir xadrez e aprendermos juntos.
Schwab (de boné) na partida que empatou com Mascarenhas (MF rating 2265)
Informações técnicas sobre o torneio, detalhes e resultados podem ser vistos em:
As partidas podem ser vistas usando tabuleirinho eletrônico em:
http://chess-results.com/PartieSuche.aspx?id=50023&tnr=53103&art=3&lan=10

Não percam esta oportunidade de trocar idéias e participar no nosso Projeto Xadrez Resende!
Abrs, Xad-Rez

sexta-feira, 17 de junho de 2011

30- Oficina de Xadrez na Biblioteca Municipal

REGULAMENTO DA OFICINA DE XADREZ

Local- Biblioteca Municipal de Resende
Promoção- Liga Resendense de Xadrez
Início- já iniciada em Maio/2011 - participação GRATUITA
Dia e Horário- aos sábados, das 14:00 ás 19:00
(sempre haverá Instrutores disponíveis para atender aos interessados)

O objetivo é apoiar o desenvolvimento do Xadrez em Resende, orientando os interessados em aprender ou conhecer mais, de modo que seja proveitoso, divertido, agradável e eficaz.

Como se inscrever:
- basta comparecer à Biblioteca ou ligar 3354-5031
- deve preencher uma Ficha, anotando seus dados pessoais, interesses, etc.

Haverá 4 níveis de aprendizado: Inicial, Básico, Intermediário e Superior
O enquadramento do interessado dependerá de entrevista e avaliação, bem como auto-avaliação considerando Critérios pré-estabelecidos.

Os 4 cursos seguem a EDAMI- Escuela de Ajedrez "Miguel Illescas", de Barcelona, uma das melhores e mais conceituadas do mundo.
O material de referência utilizado também está baseado na EDAMI.

Esquema de funcionamento:

   1-cada aprendiz comparece quando puder e fica quanto tempo tiver disponível
   2-solicita a um dos instrutores presentes que o ajudem no seu Treinamento
   3-o instrutor verifica qual o nível do aprendiz, e em que ponto ele se encontra
   4-se for o caso, poderá ser usada a Tabela de Avaliação de Nível de enxadristas
   5-o instrutor ajudará na medida das suas possibilidades, pelo tempo que puder
   6-será anotado o que foi ensinado e o ponto em que parou, para continuar depois

Evolução do aprendizado:

  1-dependerá principalmente da motivação e disponibilidade de cada interessado
  2-não depende de um só Instrutor: qualquer um poderá ajudar o aprendiz
  3-a cada vez será ensinado um ou mais itens, conforme um Programa e as Apostilas
  4-periodicamente e sempre que possível, serão feitas Avaliações do aprendizado

Mais informações na Biblioteca Municipal, na Rua do Rosário, ou tel. 3354-5031
Sds, Xad-Rez

segunda-feira, 6 de junho de 2011

28- Segredos da posição - 1


A pretas jogam: podem ganhar?
Qual é o SEGREDO desta posição?
 Há posições que guardam segredos, às vezes difíceis de se perceber à primeira vista, geralmente porque contrariam nossa lógica usual. Aprofundando a análise, ás vezes se revelam surprêsas inesperadas. Começamos com uma avaliação racional da posição e depois temos que usar a imaginação para buscar algum recurso excepcional,  se existir.

Analise a posição ao lado e descubra o seu segrêdo! Os 3 primeiros que enviarem uma análise completa da posição com comentários corretos para xadrezresende@yahoo.com.br até 30/Junho ganharão um brinde surpresa especial, a ser retirado pessoalmente na Biblioteca Municipal.

Para ter o máximo de proveito nestes exercícios, procure visualizar as jogadas e posições resultantes, sem mover peças num tabuleiro. Esta é uma habilidade importante para poder jogar bem xadrez: VISUALIZAR.

Iniciar com uma avaliação racional bem feita (por escrito, no caso de exercícios) pode indicar o melhor dentre os "lances candidatos" e dar idéias para a imaginação achar depois algum recurso excepcional que possa existir na posição em análise.
É muito importante considerar que não se trata de encontrar um ou dois lances, mas sim identificar alguma IDÉIA que seja viável na posição e em harmonia com a situação analisada. Qual é a idéia neste caso?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

26- Vídeo mostra o que é Xadrez


 "Vida em Miniatura" foi elaborado pelo Tiago Augusto dos Santos e constituiu seu TCC- Trabalho de Conclusão no Curso de Jornalismo da UNITAU em 2005. Trata-se de um vídeo-documentário que, em cerca de 25 minutos, propõe-se a mostrar o que é o Xadrez, suas origens e história, fatos e aspectos característicos, incluindo inúmeros depoimentos, dentre os quais educadores que relatam suas experiências com Xadrez nas Escolas.

"Com roteiro sedutor e informações interessantes, Tiago alcança seu objetivo: iniciar os leigos no universo enxadrístico e emocionar os já enxadristas de um modo muito especial, pois consegue mostrar toda a paixão envolvida em uma partida e como o xadrez é parte importante da vida das pessoas que o praticam."
Assistam aquí ou diretamente no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=W0Bhnk9CJ3s




Tiago Augusto dos Santos
E na busca por responder a tal pergunta que nós mesmos, enxadristas, nos cansamos de nos questionar e ainda esperamos um dia compreender: “O que é o xadrez, afinal?”  Tiago nos propõe uma idéia interessante. Mais do que responder a tal pergunta, nos faz querer perguntar ainda mais e nos fascina com seus aspectos de jogo, arte, ciência e passatempo inigualável.
Vale a pena reproduzir aqui uma frase do documentário, que expressa bem não só o espírito de seu produtor, como também uma das facetas mais empolgantes de nossa tão querida modalidade: “O Xadrez, assim como o amor e a música, tem o poder de fazer os homens felizes.” (Tarrasch).

Tiago mantém um site com foco jornalístico, que vale a pena visitar: http://www.vidaemminiatura.com/
Aproveitamos para parabeniza-lo mais uma vez pelo excelente trabalho que vem realizando!
Abrs, Xad-Rez.

segunda-feira, 28 de março de 2011

25- Como jogar pela Internet online = Recomendações

Há muitas opções disponíveis através de sites pagos ou gratuitos, porém encontrar um bom site para se jogar online (ao vivo) não é fácil, pois nem sempre oferece os recursos e condições adequadas.

Fazemos as seguintes Recomendações, tomando como base a nossa experiência pessoal e as instruções detalhadas "Para jogar na Internet" que o Paulo Santoro oferece na página dele http://www.paulosantoro.com/xadrez/online.htm, compartilhando seus conhecimentos conosco generosamente.
Também há uma recomendação similar acompanhada por uma explicação detalhada em: http://clube-de-xadrez.wikispaces.com/FICS .

Consideramos como ideal o site americano do FICS- Free Chess Internet Service http://www.freechess.org/ que é gratuito e oferece ótimos recursos para satisfazer todos os requisitos que são considerados necessários num bom site, como por exemplo:

-- mantém registros sobre você e partidas mais recentes, já abre no seu login, calcula e atualiza seu Rating separadamente naê s modalidades Relâmpago(até 3 minutos), Blitz(de 3 até 15) e Standard(acima) e com isso facilita para você escolher ou ser escolhido por adversários de força adequada;

-- oferece Torneios variados durante todo o dia, com participantes do mundo inteiro;

-- facilita para você baixar o JAVA e depois a interface JIN Aplet, que disponibiliza tabuleiro eletrônico e todas as funcionalidades do FICS;

-- é fácil de usar e requer apenas que você tenha e-mail (de preferência pago) e se cadastre no site.

Ao acessar o FICS você terá que clicar em "Register", depois em "Registration Form" e preencher os seus dados pessoais, indicando o seu e-mail de contato e um "handle" que será o seu apelido ou nome de guerra (sugerimos escolher um discreto e que permita aos seus amigos localizarem você no FICS). Então você receberá uma mensagem no seu e-mail contendo um Link e um "código de ativação", ao clicar no Link se abrirá uma página onde você digitará seu "handle" e o "código de ativação", após o que você receberá uma nova mensagem com uma Senha que permitirá iniciar sua participação no FICS. O processo é bem simples, mas é recomendável que você leia as instruções detalhadas do Paulo Santoro para saber mais sobre os recursos oferecidos, aprender dicas para resolver problemas que surgirem, etc.

Caso você tenha um pouco mais de familiaridade com Informática, poderá escolher uma outra interface no site http://www.babaschess.net/download.asp que é mais bonita e eficiente. Ela oferece o tabuleiro eletrônico onde as peças são movidas com o mouse, roda em Windows, é mais bonita e eficiente, e oferece muito mais recursos. Apresenta um Gráfico mostrando os parceiros procurando adversários e que indica visualmente qual o Tempo que querem adotar e o Rating de cada um. Permite ver quem está cadastrado e localizar os seus amigos que estão online. Mostra a evolução dos seus Ratings, permite adiar partidas, etc.

Uma explicação detalhada está disponível aos companheiros inscritos no nosso YahooGrupos, basta acessar o site do grupo, digitar sua senha e procurar a pasta nos Arquivos –  e bom proveito!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

23- Conceitos sobre Aberturas - 2

Atualmente é possível aprender sobre Aberturas e Defesas sem recorrer a instrutores, DVDs ou livros.
Uma forma moderna e bem prática de aprender é simplesmente utilizar um software apropriado, do tipo que é disponibilizado em diversos sites, como por exemplo em http://www.chessgames.com/perl/explorer ou http://gameknot.com/chess-opening/ ou em outros sites (porém a maioria mostra poucos lances, só mostra tudo para os associados que pagam).

Nesta forma de aprender, é como se você tivesse a sua disposição um adversário que conhecesse as principais alternativas e os lances mais praticados no Xadrez mundial, e que lhe mostrasse quais são essas alternativas. Você vai experimentando e poderá aprender tentando, ganhará familiaridade com os lances e respostas mais usuais. É como se estivesse jogando e aprendendo com suas próprias experiências práticas em suas partidas, só que de maneira mais rápida e mais correta.

Vamos tomar como exemplo o software oferecido pelo Shredder, que está disponível através deste nosso Blog, mostrado na coluna lateral da esquerda. Vamos resumir aquí uma maneira de como utiliza-lo para melhor aprender Aberturas. O procedimento pode ser de duas formas: (i) ou você acessa para explorar possibilidades e para se preparar para uma próxima partida; (ii) ou você acessa após jogar algum partida, para ver como poderia ter sido e como deveria ter jogado.
Esta posição inicial indica as 12 principais alternativas "corretas" para as Brancas começarem uma partida.
(lembrar que as letras que simbolizam as peças aparecem sempre em Inglês, ou seja: N=cavalo, K=rei, Q=dama, R=torre, sendo o restante igual ao português: B=bispo, P=peão, 0-0 = roque pequeno, etc.)

As principais informações sobre estas alternativas são mostradas nas colunas abaixo do tabuleiro:
  • a Abertura mais jogada foi 1.e4 preferida em 242.221 partidas, neste banco de dados do Shredder;
  • o índice de sucesso das Brancas com 1.e4 foi 54,5% consideranto Vitórias(Wins) e Empates(Draws)
  • os jogadores nestas partidas tinham Rating Médio de 2507(Elo), ou na maioria Grandes Mestres;
  • p.ex.: a Abertura com menos sucesso para as Brancas (neste banco de dados) foi 1.Nc3 pois só ganharam 135 partidas, emparam 154 e perderam 175, num total de 464 partidas (entre GMs !)
Para explorar as jogadas mais usuais nas Aberturas e Defesas e as alternativas do Shredder faça assim:
  • comece clicando, na Tabela, em cima da alternativa que você escolher, p.ex. 1.e4;
  • aí este lance será executado no tabuleiro e aparecerão as alternativas de respostas da Pretas;
  • você poderá ver que 1...c5(defesa Siciliana) foi a preferida em 115.998 partidas, mais do que a soma das preferências por 1...e5(clássica), 1...e6(defesa Francesa) ou 1.c6(defesa Caro-Kann)
  • o índice de sucesso das Pretas com 1...c5 foi de 46,4% neste banco de dados do Shredder
  • pior índice das Pretas foi com o exótico 1...a6, tendo 12 vitórias, 11 empates e 37 derrotas (29,1%)
  • a seguir, escolha qual alternativa quer explorar e clique nela, p.ex. vamos ver 1...e6
  • aí aparecem as alternativas do 2° lance da Brancas, mostrando que o preferido é 2.d4, etc.
Os recursos apresentados à direita do tabuleiro do Shredder são:
  • Start Position = posição inicial -- clique aí se quizer voltar direto para a posição inicial do tabuleiro;
  • Takeback = voltar lance -- clique aí se quizer voltar o último lance feito no tabuleiro;
  • Flip Board = virar o tabuleiro -- clique aí se quizer olhar o tabuleiro pelo lado das Pretas;
  • Huge Book = livro inteiro -- para você escolher diferentes bancos de dados de partidas;
  • Language = para você escolher a língua (entre inglês, espanhol, alemão e francês)
  • Input FEN= entrar Posição -- abre-se uma caixa Prompt para digitar uma posição em código FEN
Deste modo, você poderá se familiarizar com as principais alternativas nas Aberturas e Defesas, e com os lances mais preferidos pelos Grandes Mestres. Você poderá ver como eles fazem para derrotar jogadas inferiores como p.ex. 1...a6 e também poderá estudar jogadas menos conhecidas para surpreender os seus futuros adversários. Esperamos que você aproveite bem estes recursos.
Acesse o site do Shredder (link na coluna à esquerda) e comece a praticar logo!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

16- Conceitos sobre Aberturas - parte I

Iniciamos aquí uma série de orientações para o pessoal que quer se desenvolver, com artigos em graus de aprofundamento crescente, abordando aspectos importantes da prátida do Xadrez.

A fase de Abertura deve ser compreendida como a mobilização das peças a partir da posição inicial. Em geral, poderá ser considerada como completada quando a maioria das peças já estiver posicionada, incluindo a dama. O rei já fez o roque e as torres estão conectadas uma com a outra e de preferência posicionadas em alguma coluna aberta (sem peões nela) ou semi-aberta (apenas um peão adversário) ou pelo menos em condições de postar-se em colunas mais centrais.
No princípio deve-se evitar iniciar manobras ou combinações sem antes ter completado, ao menos em boa parte, a fase de Abertura: mobilização das peças.

Um dos maiores clássicos da literatura do xadrez é "Ideas behind the Chess Openings" [Idéias por trás das Aberturas de Xadrez] escrito pelo grande campeão americano Reuben Fine, que também foi autor de outros livros famosos, inclusive um tratado completo sobre finais que pode ser encontrado em espanhol com o título Finales Basicos de Ajedrez, o que não é o caso deste livro dele sobre Aberturas.
Este clássico é recomendado para enxadristas com nível de jogo em evolução para intermediário (rating de 1400 a 1700 aproximadamente) e tem o grande mérito de mostrar os conceitos e objetivos, ao invés de apenas listar as alternativas de jogadas. Explica as idéias para os enxadristas que querem se desenvolver e compreender melhor a fase inicial de uma partida.
Para os jogadores mais avançados tem menos interesse, inclusive porque ao longo destas últimas décadas os conhecimentos evoluiram bastante e muitas jogadas mostradas no livro de Fine foram superadas pela descoberta de detalhes táticos ou introdução de novas idéias.

Traduzimos a seguir os ensinamentos iniciais deste livro, porque dão uma base que pode ser útil para muitos enxadristas. Os comentários entre colchetes [abcd...] são nossos.

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Principios Gerais [segundo Reuben Fine]

É sempre verdade, embora nem sempre claro, que os movimentos nas aberturas de xadrez são baseados em certas idéias definidas. Estas idéias formam o contexto e a fundação, enquanto os movimentos representam a construção em sí.

Em todas as áreas, o homem que consegue somente fazer as coisas, sem saber o porquê, leva desvantagem em relação àquele que conseque não somente construir, mas também dizer exatamente porque está construindo daquela maneira. Isto é especialmente ressaltado quando o ciclo prescrito não obedece às leis a que deveria seguir: então, o trabalhador [que só sabe fazer] tem que parar e ficar com os braços cruzados, até que o mecânico venha e ajuste o delicado mecanismo.

Tudo isso permanece válido no xadrez, assim como se mantém válido em todos as áreas que sejam uma combinação de teoria e ação. E como ação ou lances em xadrez são muito menos padronizados do que, digamos, a construção de uma casa, a teoria representada por idéias torna-se muito mais importante.
Uma boa demonstração disso é quando ocorre um "desvio do livro". Uma certa partida começou com 1 e4 f6. Esta resposta é ruim, tão ruim de fato que não será possível encontra-la em nenhuma coleção de movimentos de aberturas. O que fazer a respeito dela? A pessoa que memorizou um montão de jogadas sem compreende-las fica desorientado; ela não será capaz nem de apresentar uma boa razão pela qual este lance é ruim. Porém a pessoa que sabe que as negras negligenciaram o centro, privaram seu cabalo do rei de sua melhor casa e ainda enfraqueceram a posição de seu rei, vão considerar uma tarefa simples refutar o jogo defeituoso de seu oponente.

Talvez não seja da compreensão geral que o que se conhece como a "Teoria de Aberturas" no xadrez segue determinadas premissas. As suas bases são bastante simples e uma vez aprendidas nunca serão esquecidas:
1. Na posição inicial da partida, como as brancas tem o lance, possuem uma ligeira vantagem;
2. Consequentemente, o problema para as brancas na abertura é manter a melhor posição;
3. O problema das negras na abertura é assegurar a igualdade.
A elaboração destas questões em cada caso individual é apresentado como "Teoria das Aberturas". Uma vez que as questões 2 ou 3 sejam claramente atendidas, a "teoria" está satisfeita e o restante fica por conta de cada um.

Até aquí, entretanto, ninguém encontrou um método para determinar valores que seja superior ao da boa prática dos mestres. Ou seja, ao nos guiarmos por princípios e regras bem estabelecidas, chegamos a uma posição onde haverá prós e contras para ambos os lados. Neste caso, uma partida entre dois especialistas é a referência mais importante que temos a possibilidade de ter. Esta é uma das principais razões para fazer referências a certas partidas. Retornaremos a esta questão mais tarde, mas é suficiente dizer, por enquanto, que na maioria dos casos, "teoria" nada mais é do que "boa prática".

Nos livros sobre aberturas aparecem menções frequentes sobre "lances normais" e "posições normais". Esta "normalidade" aparece da maneira explicada a seguir.

Há dois conceitos fundamentais nas aberturas, que são: o desenvolvimento e o centro. Desenvolvimento é ir posicionando as peças para jogar. O centro consiste nas quatro casas do centro geométrico do tabuleiro. O princípio básico estabelece que é essencial na abertura desenvolver todas as peças harmoniosamente e de modo a assegurar a posição mais favorável possível no centro.

Detalhando mais, há dez conselhos práticos que geralmente é bom seguir, embora os enxadristas já mais desenvolvidos saibam que há muitas exceções. Estas regras são:
1. Abra com o peão do rei ou o peão da dama;
2. Sempre que possível, faça um bom lance de desenvolvimento que ameace algo;
3. Desenvolva os cavalos antes dos bispos;
4. Escolha a casa mais adequada para uma determinada peça, desenvolva-a para lá de uma vez por todas [num só lance e sem voltar]
5. Faça um ou dois movimentos de peões na abertura, não mais que isso;
6. Não saia com sua dama muito cedo;
7. Faça o roque logo que possível, de preferência para o lado do rei;
8. Jogue para ter controle do centro [ocupando-o com peões ou pressionando-o com suas peças];
9. Sempre tente manter pelo menos um peão no centro;
10. Não sacrifique material sem uma razão clara e justificada.

No item 10 podemos acrescentar ainda que, para oferecer um peão tem que haver uma das quatro justificativas seguites:
(a) Obter uma vantagem evidente em desenvolvimento;
(b) Desviar a dama adversária [para longe ou para fora de ação] ;
(c) Impedir que o adversário faça o roque;
(d) Montar um forte ataque.

Finalmente, é importante lembrar que há duas questões que precisam ser respondidas para cada lance a ser jogado:
A- Como este lance afetará o centro?
B- Como se encaixará com o desenvolvimento de minhas outras peças e peões [e em relação ao posicionamento do adversário]?

Qualquer lance que esteja de acordo com os principios básicos é "normal"; e qualquer lance que não esteja é "anormal". Então 1 e4, que posiciona um peão no centro e ajuda o desenvolvimento da ala do rei, é normal, enquanto 1 h4, que não ajuda nem o centro nem o desenvolvimento, é anormal. De modo similar, após 1 e4 e5 2 Cf3 desenvolvendo o cavalo e ameaçando um peão central adversário é normal, enquanto 2 b3 que desenvolve uma peça relativamente menos prioritária e não afeta o centro é anormal. O leitor irá logo lembrar de vários exemplos semelhantes.

Sacrifícios [lance que entrega uma peça] e gambitos [lance que oferece um peão] algumas vezes parecem violar procedimentos de abertura sadios. Isto em certo sentido é verdade, pois cada sacrifício requer justificação especial. Entretanto, é fato bem conhecido e fácil de comprovar que, sob certas circunstâncias, uma vantagem material é inútil quando atrapalhada por uma posição ruim. Em tais casos os sacrifícios tornam-se também perfeitamente normais.

Nos gambitos, a oferta de peão é sua própria essência. O procedimento normal tem necessariamente que levar isso em conta e, em função disso, aparece um terceiro fator [a ser avaliado]. Embora esta análise [as considerações anteriores] esteja correta de um ponto de vista puramente teórico, na prática se constata que o centro tem relativamente menos prioridade [nos Gambitos], de tal modo que a questão essencial a ser respondida por ambos os lados é:
A vantagem em desenvolvimento é compensação suficiente pelo material entregado ou não? Lances "normais" em gambitos são aqueles que ajudam a responder esta questão.

Em quase todas as aberturas há uma série bem definida de lances normais que levam ao que é usualmente chamado de "posição normal". Esta posição normal é o ponto de partida para maiores investigações da abertura. Se é favorável para as brancas, a preocupação da teoria será com o melhoramento das possibilidades defensivas da negras. Inversamente, se as possibilidades estão igualadas, então o problema é reforçar o jogo das brancas. Algumas vezes - como é o caso na Defesa Ortodoxa do Gambito da Dama recusado - as posições resultantes são teoricamente igualadas, porém na prática mostram-se cheias de dificuldades e ciladas. Em tais casos a teoria pode e deve preocupar-se com uma investigação para ambos os lados, por um lado para dar as brancas melhores chances [de manter vantagem], e por outro lado para tornar a tarefa das negras [de buscar igualar] mais fácil.

Um conceito semelhante e pertinente que será usado ocasionalmente é o de "posições ideais". Uma posição ideal é uma que é alcançada por uma sequência de lances normais para ambos os lados e que representa a máxima superioridade posicional que um jogador ou o outro pode alcançar. Consequentemente, é um objetivo que vale a pena ser buscado por aquele jogador, mas algo a ser evitado pelo seu oponente.

Em diversas aberturas ditas "modernas" - tais como a Defesa Alekhine e o sistema Catalão - o jogo de um dos lados ou do outro pode acabar sendo altamente bem sucedido ainda que esteja em aparente contradição com princípios sadios das aberturas. A contradição só pode ser resolvida se considerarmos o elemento de "permanência". Por exemplo: na Defesa Alekhine as negras permitem que as brancas construam um poderoso centro de peões, não porque achem que um tal centro seja ruim, mas porque acreditam que serão capazes de destrui-lo mais cedo ou mais tarde. Em consequência, entre outras coisas, em algumas aberturas, precisamos avaliar até quando uma certa vantagem poderá durar [ou seja, qual será a permanência?]
Uma sutileza moderna são as transposições, que são muito comuns em aberturas com peão da dama [e outras do tipo "fechado", onde os primeiros lances insinuam uma certa abertura, mas gradativamente chega-se a uma posição típica de outra abertura].

É importante ter clareza a respeito da questão da avaliação da posição alcançada na abertura. Isto deve, é claro, ser baseado na análise geral [que é utilizada] para qualquer posição. Esta análise geral envolve cinco fatores:
(i) material; (ii) estrutura de peões; (iii) mobilidade; (iv) segurança dos reis; (v) possibilidades de combinações [ou de assumir a iniciativa das ações].
Em muitas aberturas (exceto gambitos) apenas a estrutura de peões e mobilidade são realmente importantes. O centro é um caso especial de mobilidade, porque o lado que tem controle do centro automaticamente desfruta maior liberdade para suas peças. [A estrutura de peões mostrará também se algum lado domina mais espaço no tabuleiro, o que poderá permitir, como consequência, maior mobilidade e iniciativa.]

Será observado algumas vezes que as idéias que se diz que são a base de certas aberturas [ou defesas] são evitadas ou estão completamente ausentes na prática. Isto é porque idéias não são leis ditatoriais, mas sim guias aconselhadoras. A estratégia, o corpo de idéias [principais, gerais], se mantém apenas como um quadro de referência. A tática, as variantes individuais [com ameaças e defesas], é o que entra neste quadro, e é por isso que o resultado varia tanto, com tanta frequência, em relação a concepção original. Frequentemente uma linha que concretiza a idéia básica e é, por conseguinte, estrategicamente sadia, precisa ser rejeitada porque há uma refutação tática e ela simplesmente não funcionaria. Ter senso de oportunidade e saber o momento certo é importante. Além do mais, na maioria das aberturas há diversas idéias para cada lado, e nem todas podem ser concretizadas numa única partida.

(trecho do livro "Ideas behind the Chess Openings" de Reuben Fine, disponível via internet www.amazon.com preço aprox. US$ 10,00 + frete, edição 1990 em notação algébrica)

Abrs, Francisco Schwab