quinta-feira, 5 de abril de 2012

50- União Européia aprova Xadrez nas Escolas

O Parlamento Europeu, na reunião de 13 de março de 2012 em Estrasburgo, aprovou e recomendou o programa "Xadrez nas Escolas" apresentado pela União Européia de Xadrez. Seriam necessárias 378 assinaturas, correspondendo a 50% mais uma, do total de 754 eurodeputados, mas a Resolução nº 50/2012 obteve 415 assinaturas.
Trata-se de um resultado significativo, porque os membros deste Parlamento são muito cautelosos em decisões que afetam países muito dispares e que podem gerar gastos, sendo que historicamente apenas 15% das propostas apresentadas tem sido aprovadas.
Esta é uma indicação clara do reconhecimento, por parte de representantes de toda a Europa, dos benefícios que o Xadrez  pode trazer para os escolares, pois a proposta passou por análise prévia e discussão em plenário.
Depois de receber um número suficiente de assinaturas para encaminhamento, uma declaração foi aprovada oficialmente pelo Parlamento Europeu e enviada a Comissão e ao Parlamento de cada Estado membro da UE, junto com a listagem dos eurodeputados que assinaram.

Esta declaração pede à Comissão e ao Conselho:
  • Meios para fomentar a introdução massiva do programa "Xadrez nas Escolas" no sistema educativo dos Estados membros;
  • Para dotar, em sua próxima comunicação sobre o Esporte, a atenção e os meios necessários ao programa "Xadrez nas Escolas" para garantir financiamento suficiente a partir de 2012;
  • Levar em consideração os resultados dos estudos sobre os efeitos deste programa no desenvolvimento dos jovens escolares;
Muitos países europeus já apoiam programas deste tipo, havendo grande número de redes públicas de ensino e escolas particulares que utilizam o Xadrez como ferramenta pedagógica para desenvolver habilidades que são comprovadamente úteis para um aprendizado geral mais eficaz.
Aliás, isto não é privilégio dos europeus, porque mesmo em nosso país isto já está bastante disseminado, porém sem apoio governamental e sem uma orientação uniforme e bem embasada, como é o caso do programa "Xadrez nas Escolas" desenvolvido pela União Européia de Xadrez.

Esta chancela por parte do Parlamento Europeu vem dar um reforço importante para o Xadrez nas Escolas, corroborando uma anterior Recomendação similar por parte da UNESCO, a principal organização internacional para a Educação e Cultura.
Mais detalhes podem ser encontrados no excelente site espanhol  www.ajedrez21.com .

quinta-feira, 15 de março de 2012

49- Welington vence Circuito Blitz 2011

Welington Leandro foi o campeão no cômputo das 6 etapas realizadas, somando 46 pontos no Circuito, tendo sido campeão em duas etapas e vice em outras duas.

Na foto, o campeão do Circuito faz seu lance numa das partidas. Isto não foi surprêsa, porque Welington vem se destacado, tendo sido vice-campeão dos Jogos da Amizade do SESI-Resende em 2009 e campeão em 2010. Em dez/2011 ele venceu novamente  e classificou-se na fase seguinte, no Rio de Janeiro, para representar o estado em Vitória, evento realizado em dezembro último, com sucesso.

Nossos parabéns ao Welington pelas conquistas e também aos demais participantes que prestigiaram os eventos.

A demora em divulgar o resultado foi porque a 7ª etapa havia sido adiada, depois não havia datas disponíveis e finalmente acabou sendo cancelada, pois já vamos iniciar a programação de 2012.
Abaixo reproduzimos a planilha eletrônica que mostra um quadro geral do Circuito após a 6ª etapa, onde queremos aproveitar para destacar a atuação do jovem Bruno, que mesmo disputando pela primeira vez partidas de 5 minutos, somou 17 pontos.




Este Circuito também definiu um ranking na modalidade Blitz, segundo os Ratings calculados pelo critério pré-estabelecido, como mostrado nas Observações abaixo do quadro. O Rating inicial de cada participante foi arbitrado em 250 e calculado pela fórmula conforme o resultado em cada Etapa.

O limite de variação estabelecido para este Rating BLITZ é entre um mínimo de150 e máximo de 350.
Nosso Rating RÁPIDO é entre 450 e 650, ficando o Rating PENSADO entre 750 e 950.

Com isso definimos Níveis dentro do espectro das faixas de Rating, para cada modalidade:
Em futuras disputas de Blitz tomaremos como base inicial os Ratings finais deste 1º Circuito Blitz.

segunda-feira, 5 de março de 2012

48- XII Torneio "Festa da Uva" 2012

Este é um dos grandes eventos do Calendário anual brasileiro, que nesta sua 12ª edição contou com 188 participantes, incluindo 10 GMs de 8 países e a GM húngara Judit Polgar - rating 2709!
No ano passado teve 300 participantes, sendo 10 Grandes mestres e 8 Mestres internacionais, mais o ex-campeão mundial Ivanschuck, da Ucrânia - a redução nos participantes deve ter sido reflexo da inscrição mais cara este ano, apesar de compensações como por ex. alojamento gratuito, programação de eventos interessantes, jantar de confraternização, e premiação atrativa.
Promovido pela Associação Caxiense de Xadrez, com apoio da Prefeitura de Caxias do Sul - RGS, direção de André Boff.
Ver detalhes no site: http://www.xadrezcaxias.com.br/
Resultados:
http://chess-results.com/tnr67410.aspx?art=1&rd=9&lan=10&flag=30&zeilen=99999

Para reproduzir partidas em tabuleiro eletrônico, escolha a rodada e a partida em:
http://chess-results.com/PartieSuche.aspx?id=50023&tnr=67410&art=3&lan=10

A variedade e quantidade de eventos oferecidos pela organização impressiona:
curso para professores e curso para iniciantes, palestras diversas, simultânea e palestra com a GM Judit Polgar, lançamento de livro com noite de autógrafos, exposição de arte, comemoração dos 100 anos do Recreio da Juventude, jantar de confraternização,  etc.
No Torneio Aberto foram distribuidos R$16.000 em prêmios, sendo R$5.000 para o campeão GM Gilberto Milos que obteve 8 vitórias e 1 empate - rating performance de 2808!  Milos venceu Mequinho na 8a. rodada, que se tivesse conseguido pelo menos o empate poderia ter sido o campeão.
No Torneio Fechado (em turno e returno) apenas 4 GMs competiram, vencendo a húngara Judit Polgar com 5 pontos em 6, seguindo-se Gilberto Milos, Mequinho e o campeão uruguaio Andrés Rodrigues.

Nossos parabéns aos organizadores e ao melhor representante carioca André Kemper, que fez 6 pontos em 9 rodadas e terminou em um honroso 30º lugar. Não percam a excelente reportagem, com fotos e comentários pessoais, postada pelo Andre no seu Blog http://xadrez-semdemagogia.blogspot.com/2012/03/judit-polgar-nao-resistiu.html?showComment=1331346520342#c4484625230126113852

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

47- Segredos da posição 2

Há de fato dois tipos de jogadas no Xadrez:  os movimentos propriamente ditos e as trocas de peças. Muitas vezes uma troca de peças pode alterar a situação na partida de maneira irreversível. Por isso, é muito útil desenvolver a percepção de quando é conveniente buscar efetuar uma troca ou quando isto deve ser evitado a todo custo.
Balashov - Karasev, Camp. Russo 1971
Aquí Karasev resolveu simplificar a posição e ao mesmo tempo eliminar um dos dois bispos brancos, jogando 17...Bf5

Esta posição já tinha ocorrido antes, numa partida entre Fischer e Larsen, em Santa Mônica 1966, na qual o criativo GM dinamarquês encontrou uma boa continuação para as pretas:
17...Ce7 18. Cd4, Bf5 19. Cxf5, Cxf5 20. Bd2, Dh4 e nesta posição os cavalos mostraram uma surpreendente força sobre o par de bispos brancos, decidindo a partida rapidamente:
21. Df1, Cc5 22. g3, Dc4 23. Dg2, Cd3 24. Bxd3, Dxd3 25. Bg5, c6 26. g4, Cg7 27. Te3, Dd2 28. b3, b4 29. Dh3, bxc3 30. Dh6, Ce6 e as brancas abandonaram 0-1.
 Nesta partida entre os mestres russos, após a troca dos bispos com 18. De2, Bxc2 19. Dxc2 seguiu-se o lance 19...Dd7? que não levou em conta a necessidade de proteger as casas pretas enfraquecidas pelo avanço do peão g6 e pela ausência do seu bispo de casas pretas - era melhor ter jogado 19...De7 para defender o peão d5 com a torre de a1 e poder pressionar o peão branco e5, poder avançar depois o peão de f7 para f6 ou defender o roque com Df8. A partida continuou com 20. Tad1, Tad8 21. Dc1, Ce7 22. Bg5! (ameaçando montar uma rede de mate com Bf6 e depois Dh6), Cxg5 23. Cxg5 (ameaçando agora com a perigosa manobra Ce4 e Cf6+, seguido de Dh6).
Aquí as pretas jogaram 23...Cc6 preparando-se para entregar a dama após 24. Ce4, dxe4 25. Txd7, Txd7 buscando assim complicar o jogo. Mas Balashov preferiu entrar num final favorável e mais seguro:
24. Df4 (se agora 24...De7 segue 25. e6), Df5 (buscando aliviar o ataque em troca de dobrar os próprios peões) 25. Dxf5, gxf5 26. e6! fxe6 27. Cxe6, Td7 28. Cc5, Tde7 29. Txe7, Txe7 30. Cxa6, Te2 31. Cxc7, Txb2 32. g3, f4 33. gxf4, Txa2 34. Txd5, b4 35. cxb4, Cxb4 36. Td7, Ta7 37. Rg2, Cc6 e as pretas excederam o limite de tempo 1-0, mas a partida já estava tecnicamente decidida.
A troca de bispos com 17...Bf5 iniciou um plano de jogo equivocado que levou a uma posição perdedora.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

46- Assembléia da FEXERJ

CONTAS DA DIREÇÃO DA FEXERJ SÃO REPROVADAS E DIRIGENTES QUESTIONADOS

Os Membros da Assembléia Geral da Federação de Xadrez do Estado do Rio de Janeiro, reunidos no Clube Municipal nesta sexta-feira dia 10, determinaram que o parecer apresentado pelo Conselho Fiscal da entidade foi insuficiente ao discriminar a movimentação financeira da Fexerj no período de 2010.

Verificou-se que não existia a devida capacidade técnica para se aprovar as contas do ano de 2010 da FEXERJ por falta de documentos fiscaisFoi solicitado o boletim diário de notas fiscais . O mesmo não foi apresentado.

Foi determinado que, mediante o fato das contas serem reprovadas, a direção da FEXERJ fica legalmente impedida de gerir a entidade.
Com base no Parágrafo Único do Art. 23 da lei n° 10.672/2003, a Assembléia Geral determinou o afastamento preventivo e imediato dos atuais dirigentes, eleitos ou nomeados.

Nova Assembléia Geral foi marcada para 17/3, com a finalidade de regularização da entidade.

A diretoria afastada ficou notificada do prazo de 30 dias para apresentar a defesa perante a Comissão de Contas, em virtude da reprovação das contas do ano de 2010.

FONTE: site do TTC - Tijuca Tênis Clube http://xadrezttc.blogspot.com/ postagem de 11/02/2012.
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Segundo relatos de representantes de entidades filiadas que participaram desta Assembléia, o ambiente foi muito tenso, havendo o atual Presidente comparecido acompanhado de advogado e seguranças.
Dentre os 5 filiados não  listados na Convocação, assim considerados "sem direito de votar", compareceram e participaram  representantes do NXN (Niterói), CXM (Mendes), CFXC(Cabo Frio) e CXTR(Três Rios) tendo este último conseguido ter reconhecido seu direito a votar, no início dos trabalhos.
Duas pessoas apresentaram-se  com procurações em nome do JTC(Jacarepaguá) alegando ambos serem o representante oficial. Após avaliação pelos Membros da Assembléia, apenas um deles foi considerado o legítimo representante, que entretanto não ficou até o momento da votação.
 
Reprovaram a prestação de contas da atual gestão: ALEX, AXXM (Xeque Mate), CXV (Vassouras), TTC (Tijuca), CXTR (Três Rios), CXP (Petrópolis) => 6 votos
Aprovaram a prestação de contas da atual gestão: ADUX (Duque de Caxias), CXM (Macaé), CXGR (Grande Roque), CMUN (C. Municipal) e CFCSN (Volta Redonda) => 5 votos
Abstenções: HSCER (Hebraica) e AABB-Rio
Em resumo: contas reprovadas por 6 x 5 computando-se ainda 2 abstenções.

Após o resultado da votação, em dado momento o Presidente encerrou bruscamente a Assembléia, com o que não concordaram os demais participantes, que continuaram a deliberar após sua intempestiva decisão e sua subsequente saída do recinto.
Os trabalhos se alongaram até cerca de 3:00 horas da manhã, com as decisões relatadas acima.
Muitos consideraram isso uma vitória da legalidade sobre a arbitrariedade da atual Direção da FEXERJ.

Ver depoimento do Dr. Patrick Monnerat no blog do CXTR: http://clubedexadreztresrios.blogspot.com/

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

45- Conselho: calcule um lance a mais

Conselho dos mestres: Ao analisar, procure calcular um lance a mais do que você tem costumado fazer.

Rowson - Yermolinsky, 2002
 No livro que publicou sobre suas partidas, o GM Laszlo Szabo lamentou ter perdido muitas oportunidades por interromper cálculo de variantes cedo demais. Ele costumava analisar até 3 lances, pois geralmente isto é suficiente. Após avaliar 3 lances na variante, caso não lhe agradasse, ele descartava a alternativa e tratava de procurar outro lance "candidato" para analisar.

Acontece que muitas vezes, ao analisar as jogadas após terminada a partida, ele percebia que o primeiro lance candidato escolhido era mesmo o melhor, e isto teria ficado claro se ele tivesse visto um lance a mais.
Portanto, é recomendável analisar um lance a mais, após haver calculado uma variante, mesmo já tendo achado que era suficiente.
Isto pode evitar desgraças como ocorreu na partida ao lado, onde as pretas poderiam ter defendido o peão a7, mas avaliaram que poderiam fazer um lance mais ofensivo jogando 1...Dc2 atacando ao invés de se defenderem.
 
Yermolinsky viu que após 1.Dxa7 poderia jogar 1...Dc2 e após 2.Td2, Dc1+ 3.Rh2, jogaria Bg5.´
Aí então as brancas poderiam jogar 4.Td3, e após 4...Bf4+ 5.g3 jogaria 5...Df1 ganhando.
Analisou também a alternativa 4.Te2 e conclui que daria no mesmo: 4...Bf4+ 5.g3, Dd1 ganhando.
Acontece que na partida, após 5...Dd1 as brancas jogaram 6.Cg1 e agora as pretas tiveram que mover o Bispo e ficaram com uma posição perdedora: era preciso ter visto um lance a mais.
As pretas falharam porque calcularam um lance a menos do que deveriam!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

44- Finais: para poder jogar com confiança!


Todos os grandes jogadores tem sido unânimes em considerar o aprendizado dos Finais Básicos como imprescindível para se poder evoluir no Xadrez. Para isso é necessário fazer um estudo sistemático, pois descobrir tudo sozinho, apenas tirando conclusões das partidas, é demorado, trabalhoso e ineficiente.

Há muitas razões que justificam o esforço em aprender melhor os Finais, p.ex.:
# jogar com confiança no futuro e não fugir das trocas, por medo de um Final;
# transformar uma vantagem em vitória, o que é mais garantido num Final;
# avaliar melhor as posições de meio jogo e prever seus desdobramentos;
# decidir quais são as trocas vantajosas e as que não lhe convém fazer;
# poder jogar finais rapidamente, nestas partidas tipo nocaute/final acelerado;
# entender profundamente as características e poder de cada peça, rei e peões

Muitos enxadristas se preocupam demais com as Aberturas e suas novidades, e só focam nisso. Mas é interessante observar como alguns jogadores fortes e experientes conseguem vencer (geralmente nos Finais!) utilizando aberturas simples e teoricamente ultrapassadas. Dificilmente alguém ganha ou perde logo na Abertura. O famoso GM húngaro Lajos Portisch costumava dizer que "a finalidade da Abertura é obter-se um meio jogo razoável" e, na prática, não adianta estudar muito as Aberturas para obter uma posição vantajosa, se não houver conhecimento e força para transformar a vantagem em vitória.

Em geral, muitas imprecisões são cometidas durante uma partida, e enquanto houver muitas peças no tabuleiro é possível tecnicamente consertar ou recuperar. Porém os Finais exigem PRECISÃO e um êrro costuma ser fatal, frente a um adversário que tenha os conhecimentos básicos. Aliás, a própria transição para o Final é o momento mais crítico da partida, porque pode levar a uma situação que já esteja praticamente decidida, dependendo apenas de uma condução técnica adequada.

A sequência tradicional em que se estuda os Finais é muito sugestiva: isto é feito de trás para a frente. Após aprender os mates elementares, o início é sempre pelos finais de peões. É porque quando for analisar p.ex. finais de bispo contra cavalo, com vários peões, é preciso frequentemente avaliar como ficaria o final mais simples - de peões - caso se realizasse uma troca de peças e restassem só os peões.

Por isso é que não adianta analisar finais isoladamente, pois é preciso um encadeamento sistemático, a partir do simples para o mais complexo, do posterior para o anterior. Só dá para entender finais que envolvem várias peças, em partidas de Mestres, se houver boa compreensão dos finais mais simplificados. Da mesma forma, uma boa análise no meio da partida depende de avaliar como seria a situação num final.

Após pesquisar muita literatura, recomendamos o livro de Ian Snape, agora traduzido para o espanhol, (o que para os leitores brasileiros ainda ajuda a se desenvolver no espanhol) que pode ser visto em:
 http://www.4shared.com/office/CKonZUwD/como_jugar_con_facilidad_los_f.html

Apresenta os finais básicos bem objetivamente em 143 páginas, concentrando-se nas idéias, conceitos e planos, mostrando as variantes sem complicar demais. O autor se alonga mais no estudo dos finais mais frequentes que acontecem na prática, dando exemplos de partidas reais. Depois complementa com 100 posições para teste, com respostas bem explicadas ao final. Façam bom proveito!